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O que fez no dia de Natal de 2006?

Recebeu o seu despachante de carga em casa e convidou-o para comer peru com os seus avós? É improvável. Culturalmente, nós, britânicos, não somos assim tão simpáticos. Mas isto não se aplica a todos os locais. 

No dia 6 de novembro, há vinte anos, estive na Índia a visitar alguns dos meus parceiros e fornecedores em Deli. Nessa altura, eu era um pouco inexperiente e acabei por não me aperceber que a minha visita coincidia com a maior celebração daquela zona do mundo: o Diwali. Para quem não conhece, o Diwali é o festival hindu das luzes. Celebrado por mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo, é um dos maiores festivais do planeta. Decoram as suas casas, acendem lamparinas de barro, partilham banquetes e assistem a incríveis espetáculos de fogo de artifício. É um evento muito importante na Índia. Tão importante como o Natal aqui no Reino Unido. 

Por isso, imaginem o meu desconforto quando percebi que tinha viajado meio mundo para visitar pessoas no equivalente ao Natal delas. E o que fizeram? Rejeitaram-me? Mandaram-me voltar depois de as comemorações acabarem? Claro que não. Convidaram-me para as suas casas, alimentaram-me e acolheram-me nas suas festas familiares. Sinceramente, nunca me senti tão humilde e acolhida. 

Isto faz-me pensar: será que isto aconteceria aqui no Reino Unido? Duvido muito. Como cultura, somos conhecidos por muitas coisas: sermos educados e reservados, o chá com scones e natas, a Família Real, os pastéis... Mas será que somos conhecidos por sermos amáveis, abertos e acolhedores? Acho que não. Quer dizer, consegue imaginar receber um fornecedor em casa para o Natal? Sentá-lo ao lado da tia-avó Doris e servir-lhe peru no Natal? Simplesmente não aconteceria. Talvez devêssemos refletir sobre isso. 

Para mim, uma das minhas memórias mais marcantes é estar sentada na sala de estar do meu parceiro no Diwali, a ver a versão indiana de "Quem Quer Ser Milionário?", de barriga cheia, sentindo-me um pouco confusa sobre como tinha chegado àquela situação, mas muito grata. Não estou a sugerir que comece a convidar os seus colegas de trabalho para o Natal, mas tenho a certeza de que todos nós poderíamos ser um pouco mais recetivos e amigáveis. E quem sabe, pode até fazer novos amigos ou alargar a sua rede de contactos. 

E você? Tem alguma história para contar sobre pessoas bondosas em lugares inesperados? Adoraria ouvi-las.